sexta-feira, julho 17, 2009

Apertado como lata de sardinha?

Apesar de ser aficionado por pescaria e até ter algumas histórias dignas de pescador para contar nunca fui fã do peixe propriamente dito. Mas contra toda expectativa um dia desses fiquei a fim de comer sardinha. Saudosismo dos tempos de criança. Nostalgia pelas antigas merendas da escola. Mesmo o ato de abrir a latinha daquela forma peculiar tem um quê de recordação. Mas quando vislumbrei o conteúdo toda magia se perdeu. Havia duas miseras piabinhas no interior da embalagem que àquela altura mais parecia um aquário de parque temático. Uma imensidão oceânica onde elas poderiam nadar livremente. É impressionante como o conteúdo das embalagens tem diminuído ao longo dos anos enquanto os preços, por outro lado continuam os mesmos. Aliás, até aumentaram. Até o rolo de papel higiênico sofreu cortes. Como se nossos intestinos estivessem mais curtos ou nosso esfíncter, mais estreito. E os velhos ditados perdem até o porquê de existir.

quarta-feira, julho 01, 2009

Maquiagem.


Há pouco resolvi configurar um perfil num site de relacionamentos. Mais ou menos no mesmo período que decidi colocar meu plano de ter um blog em funcionamento. Quem não quer estar em contato com os amigos, trocar experiência e até desilusões? Foi então que uma série de dúvidas me perturbou. Quais fotos devo postar? Como me descrever de maneira criativa e descolado? Quais preferências compartilhar? O que devo omitir? Em decorrência de tais dúvidas me veio um pensamento. Quem realmente sou? Em busca de uma resposta investiguei os perfis de alguns candidatos a amigo e percebi que a maioria parecia pensar como eu. Destacando quase sempre em seu perfil apenas as coisa supostamente positivas. Sua criatividade. Seu interesse pelas diversas artes. Enfim, algo arbitrariamente classificado como relevante para sociedade. Fiquei me perguntando quanto daquilo que eu queria retratar era realmente eu. Logo percebi que a grande maioria das coisas se relacionava na verdade à pessoa que quero ser e a que querem que eu seja. Ocultamos nossas fraquezas, nossas dúvidas. Lutamos contra nossas características mais humanas. Como se buscássemos nos tornar algo quase celestial. Divinos. Tentamos a todo custo fugir da nossa posição animal. Inúmeras vezes irracional, inclusive. Representando na maior parte do tempo. Uma maquiagem tão pesada que muitas vezes confunde o próprio ator. Em meio a tais devaneios logo me lembrei de uma observação atribuída a Darwin:
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“Devemos, no entanto, reconhecer, como me parece, que o homem com todas as suas nobres qualidades... ainda sofre em sua prisão corpórea a indelével marca de sua humilde origem.”
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