sexta-feira, novembro 20, 2009

"homo sapiens" ... e ponto.


Estamos celebrando o dia da consciência negra. Celebrando? O que? Como todos já sabem sou Veterinário (ou como costumo dizer: deveria ser). Estou habituado a lidar com o que se chama por ai de raça (Grupo de indivíduos cujos caracteres biológicos são constantes e passam de uma a outra geração). Existem várias. Qual a melhor? Não tenho idéia. Depende de qual finalidade se pretende dar ao espécime em questão. É bovino? Leite ou carne? Se for para leite eu particularmente prefiro o gado Jersey. Pequeno, manso e ninguém chuta o balde. Agora, se for para comer carne com o Jersey é só roeção de osso. E isso sem contar o ambiente que se for frio ou quente faz uma diferença do caramba. Quando o assunto é cachorro, aí a conversa é mais comprida. Agora há sentimento envolvido. Eu sou mais Fila. Mas para quem quer caçar paca, por exemplo, um fila e um elefante têm a mesma serventia...
 Cavalo? Trabalho, passeio, rodeio, hipismo ou enduro???? Tem que saber. Um Percheron no hipismo vai abrir uma cratera na pista. Um Pônei? Só com rapel. O que quero dizer com tanta abobrinha? Que dividir uma espécie em raças só tem alguma lógica (se é que há lógica) quando os indivíduos envolvidos são reféns de sua condição biológica. São reféns de sua suposta irracionalidade. O que é fato sabido e notório não ocorre com o ser humano. Um japonês pode ser cientista, jogador de basquete, ou professor. Ainda que ele fosse azul com bolinhas brancas continuaria podendo (caso quisesse). Um etíope pode ser PhD no que ele quiser da metafísica ao ping-pong. Basta haver vontade e oportunidade. E vale lembrar que a vontade impulsiona bem mais que a oportunidade. E que fique entendido: subdivido em japonês e etíope para retratar única e exclusivamente a nacionalidade dos indivíduos, o posicionamento geográfico. Fico pensando: Se os humanos fossem mesmo divididos por raças (pois acho que não são; pelo menos espero que não sejam) e começássemos a escolher por parâmetros “lógicos” ou práticos. Eu, por exemplo, gosto de tetas grandes são mais divertidas e a sobrevivência do meu bebê está garantida. Por outro lado o tamanho das tetas é uma característica de alta herdabilidade (e agora estou falando exclusivamente como veterinário). Eu não quero ser fornecedor pro filho adolescente e pervertido de ninguém. Escolher humanos assim não é bizarro? É claro que entendo que a semana da consciência negra é dedicada à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira. E que procura ser uma data para se lembrar a resistência do negro à escravidão de forma geral. Acho de grande valor a atitude de algumas entidades que organizam palestras e eventos educativos visando principalmente às crianças negras. Buscando evitar o desenvolvimento do auto-preconceito, da inferiorização perante a sociedade. Quero deixar claro (como miscigenado que sou) que corroboro com os mesmo sentimentos daqueles que sofrem com o preconceito e a discriminação. Mas a verdade nua e crua é que só terei algo para celebrar no dia em que formos capazes de olhar para a sociedade e só enxergamos seres humanos. Só quando as cotas deixarem de existir por não mais fazerem sentido (se é que fazem... não sei...). Só quando a pergunta referente a cor for extinta do questionário do IBGE. Aí, eu mesmo proporei que se institua um dia da consciência. O dia da Consciência Humana.
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2 comentários:

  1. Ótimo texto, como não podia deixar de ser! Não vejo a hora de chegar o dia da consciência humana!

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  2. Atualiza né meu?
    Depois dê uma olhadinha no blog de um escritor amigo meu.

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