quarta-feira, março 31, 2010

Autonomia há muito perdida


Os contrários à intervenção no Distrito Federal se munem dos mais variados argumentos para justificar sua causa. Fazem terrorismo psicológico no melhor estilo Bush quando justificava sua insana guerra ao terror. E apesar de por aqui os argumentos serem menos apocalípticos ainda assim mechem com a cabeça do cidadão despreparado. Entre eles pode-se citar a perda da governabilidade e da autonomia, paralisação de obras, aumento do desemprego... São muitas as falácias, mas parece bastante claro que os opositores à intervenção estão interessados mesmo é em defender seus próprios interesses. E o acoxambramento na Lei Orgânica soa muito mais como uma tentativa desesperada de manter os esquemões escondidos e em funcionamento do que como uma busca sincera em resolver o problema. Os acontecimentos atuais só confirmam o que parece ser um carma do eleitorado Brasiliense: "o de quase sempre escolher péssimos candidatos". Só no Senado dos quatro que já renunciaram ao mandato para escapar da cassação, Brasília elegeu dois: além do ladino Roriz, que já se organiza para a próxima disputa ao governo do DF (e com grandes chances de ser eleito), houve também o amador José Roberto Arruda, que renunciou em 2001. Também é de Brasília o único senador cassado pelos colegas, o empresário Luiz Estevão, em 2000. E mais recentemente saímos novamente na frente com o primeiro governador preso em exercício. Há muito não sabemos o que fazer com nossa autonomia e tampouco com nossos votos. E num ambiente tão pervertido parece muito improvável que alguma coisa se resolva apenas com votos. Que dirá então com uma votação indireta quando dos nossos vinte e quatro excelentíssimos deputados cerca de vinte estão envolvidos no escândalo (conforme declaração recente de Durval Barbosa à CPI). Ante a um cenário tão caótico e cariado a intervenção parece inevitável e imprescindível. Ansiamos que com ela ocorra uma devassa nos bastidores da política do DF. E que até outubro estejamos mais bem preparados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário