sexta-feira, junho 05, 2009

Motoqueiro Selvagem

Há cerca de um ano fui aprovado num concurso público. Como não sou dado a rotina do transporte coletivo decidi adquirir um meio de transporte próprio. Com meus recursos escassos e o apoio de meu espírito jovem e aventureiro a escolha foi óbvia. Qual homem jovem nunca sonhou em pilotar uma motocicleta? A sensação de liberdade. O vento no rosto. Não tive dúvidas. A escolha pelo modelo foi mais fácil ainda, afinal “La Poderosa” já figurava na garagem aqui de casa. Era do meu irmão mais novo. Emprego novo, motoca nova (nem tão nova assim). Eu estava com tudo. Mas como a alegria é passageira, com menos de um mês...
... já havia metido os córneos no asfalto. Minha habilidade duvidosa aliada aos noventa e dois anos de um senhor desavisado e a esparrela estava armada. Num segundo liberdade e independência, no outro muita dor e constrangimento. Em meio à dor e a confusão foi um alívio saber que o ancião nem era mais autorizado a dirigir, pois àquela altura eu ainda nem tinha habilitação na categoria A. Refeito do susto e após um mês de espera “La Poderosa” voltou da oficina, havia ganhado um banho de loja que me fez lamentar ter adiado tanto o fatídico encontro com o pobre senhor. Desfrutei da máquina por mais um tempo e pude notar que passei a chegar aos meus compromissos com um cheiro que mais parecia ter acabado de largar um turno de trabalho como frentista. Nada que uma dose extra de perfume não resolvesse. Então vieram as chuvas. E como choveu esse ano. Passadas as chuvas finalmente poderia curtir a motoca. Então chegou o frio. E como tem feito frio. Um dia desses meu irmão me convidou para fazermos uma trilha de moto com nosso primo. Chegando lá ao vê-lo todo equipado me dei conta de que meu primo era o único ali que sabia o que estava fazendo. Após subir e descer algumas ladeiras e acelerar forte por entre árvores e pedras minha moto já não me parecia muito diferente de uma cruz no calvário. Desde aquele dia eu e minha motoca nunca mais nos distanciamos do asfalto. Depois de quase um ano ainda não entendo muitos bem o que alimenta o tal “amor pela vida em duas rodas”. Não sei se é a textura do asfalto ou o cheirinho agradável. Sem contar as inúmeras camisas manchadas de óleo. Sei lá. Vai entender.

PS: Honda XR250 Tornado 2004/2005, vermelha, em ótimo estado
(droga, falei do acidente). O conserto ficou jóia.
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