quarta-feira, junho 17, 2009

Pedagogia eqüina.

Meu pai sempre teve boas teorias a respeito de quase tudo na vida. Pelo menos sempre achou que tivesse. Entre seus equipamentos pedagógicos favoritos podem-se listar martelos, enxadas, marretas. Enfim alguma ferramenta bastante dura e bem pesada. Nunca fez distinção entre a racionalidade de um garoto de seis anos e um cavalo velho. Até acho que a seu ver o cavalo devesse ter uma postura mais coerente perante a sociedade. Talvez pela idade. Vai saber... Numa certa ocasião na fazenda quando terminávamos de arrear os animais para a lida com o gado meu pai passou por traz de um dos cavalos. É pertinente dizer que dos ensinamentos rurais o que diz: “não passe atrás do cavalo, principalmente ao alcance de sua pata” é o que primeiro se aprende. Mas na pressa de fazer o serviço acho que se descuidou. Nunca imaginei que um cavalo senil cujo vigor físico o fez ser batizado de “Preguiça” pudesse desferir um coice com brutal energia. E que pontaria. Pegou meu pai pelo meio. Na aquarela de cores que tomaram o rosto do careca se destacaram o vermelho e o roxo. O ódio era notório. Sem raciocinar nem por um segundo sequer agarrou um cabo de enxada e bateu no pobre animal enquanto teve forças. Ao final da surra estava tão suado e esbaforido que parecia que tinha sido ele e não o cavalo quem havia apanhado. Temi que tivesse um infarto ou que um aneurisma explodisse dentro de sua cabeça . Após o lamentável episódio voltamos ao trabalho. No dia seguinte novamente nos preparávamos para a lida quando mais uma vez lá estava meu pai se dirigindo para trás de Preguiça. Quando o alertei para não fazê-lo me disse com a entonação de um sábio: “Depois de ontem ele aprendeu a não dar mais coi...” Nem teve tempo de terminar a frase. Desta vez Preguiça adicionou a sua maldade habitual a sede de vingança pelas bordoadas do dia anterior. E o golpe foi bem pior. Só a mira permaneceu a mesma. E a pancadaria lamentável se repetiu. Mas depois desta ele finalmente aprendeu. O pangaré? Não! Meu pai. Nunca mais passou atrás de outro cavalo. Preguiça morreu distribuindo cacetadas nos cavaleiros incautos. Como era duro aquele cavalinho.
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Um comentário:

  1. É, parece que a teoria de que não se deve ensinar com pancadas está deixando dúvidas! Acho que alguém aí aprendeu através deste método! Kkkkkkk...
    Beijos!

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